


Hoje, ainda cedo, enquanto dormia, pude vivenciar diversas experiências míticas relacionadas com a minha realidade consciente. Uma verdadeira viagem ao mundo dos símbolos, signos e mitos que permeiam minhas ações e opções.
Sonhava com uma praia revolta e surfistas surfando com coragem beirando a loucura. Havia sol e eu andava de lá pra cá, de carro, pela estrada que beirava a praia já invadida por suas águas, ondas e correntezas. Tudo era normal, mas havia um sentimento profundo estranho. Eu procurava diversão, prazer sexual, penso e sinto ser tudo relacionado com a reprodução natural (e muitas vezes ignorante!) da espécie. Todavia, havia aquele sentimento de que as coisas não iam bem. Havia uma ignorância geral em torno daquele "estilo" de vida. As águas buscavam muitas pessoas enquanto outras pareciam se divertir na beirada da praia. As ondas muitas vezes se chocavam com a parede que fazia altura sustentando a sociedade nos quiosques de diversão, bebidas e prazer logo ali em frente do mar revolto. E ali eu estava. Aquele sentimento ainda me penetra agora enquanto escrevo.
Repentinamente, como é praxe no mundo dos sonhos, me encontro visualizando outro paradigma mítico. Numa encosta, no que parecia ser uma ilha, um homem treina habilidades de defesa, numa luta que parece ser contra ele mesmo. Corpo atlético bem forte, cabelos longos em trança, oriental. É "soprado" em minha mente a sua história: tratava-se de um dragão envenenado pela criminosidade do prazer desmedido, da bebida, sexo, etc. (Hoje, por sincronicidade interessante, há uma frase no meu orkut: A sociedade prepara o crime, o criminoso o comete.) Por isso, essa foi a imagem que tive desse homem: a de um lutador, forte, lutando contra sua sombra, numa luta tão solitária que por si nunca venceria apesar de todas suas qualidades.
Adiante, esse homem realiza uma busca por ajuda num caminho muito rápido. Uma velocidade como da água por um ralo, algo impossível de conter. Um desespero.
Novas imagens surgem em minha mente. Visualizo um penhasco muito alto. Um paredão coberto de neve com fendas muito estreitas. No alto do paredão duas crianças magras, carecas, vestidas de mantas cinza-azul-claras, dependuram-se por entre as fendas no que parece ser algum tipo de treinamento insano. Apesar da incomensurável dificuldade que o obstáculo oferece para essas crianças, que estão escalando esse paredão gélido sem cordas ou qualquer equipamento de proteção, elas, por uma fração de tempo, comunicam-se sobre um sentimento sub-consciente mútuo da chegada de um dragão em suas noosferas (campo mental ou area mental que comporta o mundo inconsciente de símbolos, signos e mitos). Essas crianças são monges Shaolin.
O interessante é que apesar do imenso perigo e dificuldade que essas crianças estão enfrentando, não há o mesmo sentimento em minha mente como houve nas imagens da praia revolta. O sentimento aqui é extremamente sacro. Existe, na imagem dessas crianças escalando o paredão do mais alto e gélido penhasco, um caminho de superação, transformação e transcendência de consciência que só a experiencia empírica pode experimentar por completo.
Tudo isto tem a ver com o meu momento no agora.
Estas imagens estão por trás da manifestação em corpo, ações e realidade que sou e que opero.
Saindo da realidade mítica e pisando no agora e na realidade objetiva, fico muito feliz quando vejo imagens reais do templo shaolin em Henan que foi preservado em suas construções. Pena que hoje por lá domina a ignorância comunista que poderia até mesmo dominar em toda a China, porém, redutos budistas como esse templo e outros em todo Tibet são centros de desenvolvimento de consciência, o que parece ir contra o direcionamento desse regime dualizador político da China comunista. Por isso em nenhuma instância posso ser a favor desse regime.
Finalmente, estou acordado. O paradigma shaolin, enquanto desbravador e iluminador de consciência está, e sempre estará, vivo a qualquer momento que eu queira acessa-lo em minha mente e assim encontrar outros que também acessam. ESTOU VIVO E O PENHASCO ESTÁ BEM A MINHA FRENTE.
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