Seguidores

terça-feira, 1 de abril de 2008

NAMO COEN : CASA DE PROGRAMAS


(TEXTO RETIRADO DO SITE:www.monjecoen.com.br)


Um mulher normal em uma boate de strip-tease é estranho. E uma monja? A budista Coen aceitou o desafio do iTodas e foi conhecer uma casa noturna. Ela nos contou tudo o que achou do lugar e das pessoas que viu no local
Por Victoria Bensaude
“Eu nunca tinha visto sexo ao vivo”, confessa Monja Coen, a fundadora da Comunidade Zen Budista, em São Paulo. Os budistas acreditam que a meditação é a chave para a concentração na vida. Agora imagine essa monja em uma casa noturna no centro da cidade. Por mais estranho e sem sentido que isso pareça, foi o que aconteceu.
O objetivo era mostrar um universo diferente, onde existe mulheres nuas e sexo explicito, além de registrar os pensamentos de uma pessoa com uma cultura tão pacífica e calma. Então na sexta-feira (29/02), a redação do portal iTodas passou no templo budista e levou a Monja Coen e sua aluna Waho para “passear” próximo à rua Augusta (point tradicional das mulheres da vida).
Sem esperar o que iria encontrar, ela tinha o receio que os homens não deviam ser muito simpáticos com uma religiosa. “Uma vez um monge da minha linhagem foi visitar um local como este e ele disse que os homens brasileiros eram rudes e grosseiros com as mulheres”, comenta.
Como toda casa noturna, havia bastante valorização de mulheres nuas e do sexo. Quando ela entrou, foi a primeira a reparar o palco com três a quatro mulheres em roupas íntimas dançando, além dos filmes pornográficos pesados (mesmo!) que passavam nas televisões do local.
A Monja Coen achou que tinha visto tudo, mas o tudo ainda era pouco. Após meia hora no local, a luzes apagaram e apenas um holofote iluminava o palco. Começava um show erótico entre duas mulheres. Fantasiadas de bruxas, as duas apresentaram um “espetáculo” íntimo, trocavam carícias mais picantes. “Ao vivo, eu nunca tinha visto, apenas em filmes e já tinha ouvido falar, e eu acho que esse show é importante para a gente ver. É uma energia muito primária. No momento que os homens entram esta casa, o que existe é só sexo.”
Sem abalos
A reação esperada era de choque, de espanto, mas para a surpresa de todos, Coen se mostrou uma pessoa de cabeça aberta. “Temos muitas reflexões sobre o ser humano quando vamos a algum lugar assim. O que é o sexo para o ser humano. Eu sou uma mulher de 60 anos, já tive uma vida sexual ativa, tive filhos, já casei várias vezes. Não é um coisa que me deixou tão chocada. Posso dizer que foi uma viagem para o passado, e que hoje está muito distante de mim. Este é um lugar que estimula a sexualidade. E nós somos aqueles que nós mesmos estimulamos. A casa tem uma visão masculina.”
O que mais a intrigou foi a vida que aquelas meninas deviam ter. Ser uma garota de programa é uma profissão complicada, e às vezes, era a única escolha que ela possivelmente tinha. “Eu comecei a refletir como é o trabalho dessas meninas. O que é a vida delas? Que necessidades isso traria a uma pessoa? Há prazer no trabalho? A verdade é que elas fazem porque o mercado existe. As prostitutas têm um valor muito importante na paz social e harmonia de uma família. Tantas coisas que os homens têm fantasias e não realizam com noivas, esposas e namoradas, portanto pagam para outras mulheres fazerem”, imagina a monja.
A verdade é que o sexo é muito liberado na sociedade, e isso está acabando com o seu valor. Para muitos o ato sexual já se tornou algo banal e encontrado em qualquer lugar. “A sexualidade foi muito liberada e perdeu o estímulo natural, perdeu a graça. E o homem precisa de artifícios para pode ter um estímulo. Mas agora eu penso será que esses seres humanos são felizes?”, conclui Coen.


Canção das Monjas

Mulher livre,

Sê livre assim como a lua é livre do eclipse do sol.

Com uma mente livre,

Sem qualquer dúvida, aproveite aquilo que te foi dado.

Liberte-se da tendência de te julgares superior,inferior, ou igual aos outros.

Uma monja que tem auto controle e integridade

encontrará a paz que nutresem causar excesso.

Sê plena de coisas boas

Como a lua no dêcimo quinto dia.

Completamente, perfeitamente cheia da sabedoria

Que rasga e abre a maciça escuridão.

Eu sou uma monja, treinada e tranquila,

Estabelecida na plena atenção,ingressada na paz como uma flecha.

Os elementos do corpo e da mente

Tornaram-se tranquilos, e a felicidade chegou.

O apegar-se a tudo por prazerfoi destruído,

A grande escuridão foi completamente rasgada

E a morte, esta também, foi destruída.

(Terigatha - tradução de Murillo Nunes de Azevedo do inglês de Suzan Murcott)

Nenhum comentário: