Seguidores

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Um pouco de mim...

Por quatro anos tenho sido professor de artes marciais chinesas. Nesses quatros anos em retrospecto posso averiguar que aprendi muita coisa boa. Aprendi a me relacionar, a ter responsabilidade coletiva, aprendi a valorizar a saúde, aprendi até mesmo a amar em novas perspectivas e principalmente: aprendi a ensinar aprendendo.
Uma fase muito importante desse trajeto foi a época que passei trabalhando com deficientes visuais e, em alguns casos, mentais. Essa caracterização de deficiencia só existe no momento que vou me comunicar com os "normais", mas quando eu estava lá entre eles, e ainda quando estou, não sentia a menor pena deles, nem algum remorço, nem diferenciação. Trato-os realmente, em fato, como iguais. Isso faz com que eles se sintam seguros e espontâneos. Pude vivenciar entre eles momentos de iluminação intransmitiveis aqui. Os professores da escola puderam presenciar esses fatos.
Essas coisas, através dessa mascara das "artes marciais chinesas", que pude presenciar e experimentar são pra mim muito mais importantes espiritualmente do que as ladainhas de competitividade das escolas e estilos de artes marciais, apesar de eu mesmo não poder ficar fora totalmente dessas ladainhas mundanas.
Concordo totalmente com Sua Santidade o Dalai Lama, quando ele diz que a religiosidade é fundamental para nosso direcionamento em ações e que a religião é Dharma, e vice-e-versa, e que Dharma são as atitudes corretas mentais, sendo que assim a religião só é viva na prática e investigação mental, resultando nas ações. Ele mesmo diz que isso significa que RELIGIÃO não está associada ao caminho dos monastérios, sacerdotes, etc. Religião é PRÁTICA das atitudes mentais corretas!!!
Muitas vezes, numa atitude de vigor ético, me questionei a respeito do meu propósito como professor de artes marciais, e me lembrava que meu mestre "Dragão Voando" sempre dizia que cada movimento, cada esforço na arte marcial era uma purificação. Nessas memórias eu contemplava o que a China me simbolizava em sabedoria, numa época áurea de trocas de experiencias entre indianos, tibetanos, chineses, japoneses, etc.
Apesar de aparentes conflitos, nos quais eu coloco que hoje na arte marcial superficial chinesa (e mundial) impera o denominador "ilusionista", temperado para se adequar à massa que ignora, eu continuo professor de uma arte apropriada de um "anti-virus" programado por mim mesmo, através da minha percepção e apoio nas influencias budistas.
Gosto muito de bons exemplos e grandes mestres de sabedoria que souberam ser humildes e detentores de grande responsabilidade em representar boas tradições, como o caso do mestre Risuke Otake http://www.youtube.com/watch?v=v9HR7TTOReE, Chen Manching, entre outros. Lembro que o próprio Dalai Lama sabia da necessidade de soldados e guerreiros no Tibet. Os guerreiros tem uma responsabilidade impar. São eles que na hora que a situação está em crise máxima vão tentar reverte-la no flanco mais doloroso. A prática do guerreiro para tanto, tem que ser verdadeiramente bem direcionada, e ai vem o papel da religião como descrita por Sua Santidade. Ou seja: o guerreiro deve ser praticante das atitudes mentais corretas.
Com uma mente secundária, subliminarmente preenchida de valores ignorantes, tanto no ocidente como no oriente, como podemos nos tornar corretos praticantes de artes marciais???
Bem, a única saída para aquele que desperta da matrix (mente secundária) é a investigação da própria mente, observando o mundo histórico em fatos, fatos e fatos, nada mais.
A sua manifestação será espontânea e natural, descubrirá a mente essencial: pura fonte.

Nenhum comentário: